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PRECISAMOS FALAR SOBRE PEDRO DO BBB 2026


Assédio, machismo e o retrato de uma sociedade que ainda passa pano para atitudes questionáveis dos homens

Mesmo que você não assista ao Big Brother Brasil, este assunto é urgente


Independentemente de você assistir ou não ao Big Brother Brasil, a gente precisa falar sobre Pedro. Pedro, um dos participantes do BBB 2026, é apenas um espelho, um recorte fiel de uma sociedade machista, onde muitos homens ainda se sentem donos das mulheres.

Em apenas uma semana de participação no programa, Pedro protagonizou tantas situações absurdas que a gente se pergunta: se ele foi capaz de fazer tudo isso dentro de uma casa vigiada por mais de 70 câmeras, com mais de 20 participantes convivendo juntos, do que esse homem é capaz quando não tem ninguém olhando?


A traição exposta e a humilhação pública da esposa

Uma das primeiras atitudes repugnantes foi admitir, em rede nacional, que traiu a esposa. Mas não foi apenas a traição em si que chocou. Foi como ele falou:

“Eu traí a minha esposa, mas ela me perdoou em nome da família.”

Essa fala precisa ser analisada com muita atenção. Em nenhum momento Pedro se preocupou em preservar a esposa, que foi traída e exposta diante de todo o Brasil. Ao dizer que ela o perdoou “em nome da família”, ele reforça aquele velho e perigoso conceito de que a mulher é responsável por consertar os erros dos homens, especialmente para manter a família de pé.

É como se o discurso fosse:“Eu errei porque sou homem, é instinto, homem é assim. E você, como mulher, tem a obrigação de corrigir essa cagada em nome da família.”

Isso é absurdo. Nós, mulheres, não somos responsáveis por corrigir erros masculinos. Precisamos tirar das nossas costas esse legado imposto de que somos guerreiras, sábias e, por isso, devemos relevar tudo para não “destruir a família”.

Mas que família é essa construída sobre traição, desrespeito e falta de admiração?


Gravidez, dependência emocional e o ciclo da submissão


A esposa de Pedro está grávida de sete meses. Isso torna tudo ainda mais delicado. Muitas mulheres permanecem em relações abusivas porque estão grávidas, porque acreditam que não conseguirão sobreviver sozinhas, que não darão conta de criar um filho sem um homem ao lado.

Geralmente mulheres jovens, imaturas, na maioria das vezes vindo de situações sociais e/ou financeiras difíceis, são mais suscetíveis a relacionamentos problemáticos, e muitas vezes ficam em ciclos de dependência emocional por anos ou a vida inteira, mas vale ressaltar que estes casos

existem em todas as classes sociais.

O problema é que, ao continuar com um homem que já demonstrou claramente que não é fiel, não é confiável e não respeita, essa mulher começa a cavar o próprio buraco. Quem trai uma vez, trai de novo. Quem desrespeita no início, tende a fazer coisas ainda piores no futuro.

Se não está dando certo agora, dificilmente dará lá na frente.


O machismo escancarado: dois pesos, duas medidas


Na mesma fala, Pedro completou dizendo que, se fosse o contrário, ele não aceitaria. Que se a esposa sequer conversasse com outro homem, ele terminaria na mesma hora.

Ou seja:Ele pode trair porque é homem.Ela tem que perdoar porque é mulher.Mas se ela errar, não há perdão.

Isso é machismo puro, explícito, sem filtro — e dito em rede nacional.

E o mais assustador? O Instagram de Pedro começou a crescer justamente depois dessas falas irem ao ar. Isso diz muito sobre a sociedade em que vivemos.


Intolerância, preconceito e o assédio em rede nacional


Como se tudo isso não bastasse, Pedro também protagonizou falas intolerantes, preconceituosas e, por fim, cometeu o ato mais grave: assédio sexual diante das câmeras.

Ele entrou na despensa com a participante Jordana e, sem consentimento, colocou as mãos em seu pescoço e tentou beijá-la à força. Jordana se assustou, se desvencilhou e reagiu, perguntando se ele estava louco. A resposta dele foi:

“Achei que você estava dando mole para mim.”

Ou seja, ele presumiu, deduziu, decidiu sozinho que tinha autorização para invadir o corpo de outra mulher.

Depois, ainda tentou justificar dizendo que ela se parecia com a esposa e que sentiu desejo. Como se isso fosse algum tipo de explicação aceitável.

Nada disso é aceitável.


E se não houvesse câmeras?


Esse é o ponto mais assustador de tudo. Jordana só teve como provar o que aconteceu porque havia uma câmera filmando. Mas e se fosse numa rua? Numa balada? No banheiro de um restaurante?

Será que a sociedade acreditaria nela?Ou diria que foi exagero, mal-entendido, denúncia falsa?

É exatamente isso que acontece todos os dias com milhares de mulheres.


Um retrato fiel de uma sociedade machista


O que aconteceu no BBB 2026 não é um caso isolado. É apenas o retrato de uma sociedade onde a mulher ainda é vista como propriedade, como objeto disponível para o uso masculino.

E, mesmo diante de tudo isso, ainda houve quem dissesse que foi exagero, que não foi bem assim. Enquanto isso, a conta de Pedro continuava crescendo nas redes sociais.

Sinceramente: por que alguém seguiria um homem desses?Não existe outra explicação senão concordância ou identificação com esse tipo de comportamento.


O silêncio do programa e a saída estratégica


Outro ponto grave foi o posicionamento do programa. Não houve um discurso firme, não houve uma responsabilização clara. Pedro, consciente da gravidade do que fez, optou por apertar o botão de desistência.

Ele sabia exatamente o que estava fazendo. Preferiu sair como quem “desistiu” do que como alguém expulso por cometer um crime. Foi uma decisão estratégica.

Não foi erro.Não foi mal-entendido.Foi escolha.


Até quando?


Até quando vamos viver em uma sociedade que passa pano para agressões, assédios e abusos sexuais cometidos por homens contra mulheres?

Até quando vamos achar isso normal?Até quando vamos dar palco para homens como esse?Até quando vamos seguir, curtir e aplaudir esse tipo de comportamento?

Que essa reflexão fique. Porque, se isso acontece dentro de uma casa vigiada, com o Brasil inteiro assistindo, o que não acontece todos os dias com mulheres que circulam livremente por este país?


Ser mulher é perigoso, é cansativo, é inseguro. Não estamos livres, protegidas em lugar nenhum. Nem quando há dezenas de câmeras vigiando uma casa, ou quando tem outras pessoas em volta. E na maioria das vezes este cenário se constrói com pequenas cumplicidades. É o cara que vê o amigo traindo a namorada e acha normal, é o colega de trabalho que se junta com outros na hora do almoço para fazer piada das mulheres, é o homem que deixa a mulher grávida sozinha em casa para tomar cerveja com os brothers, é o cara na rua que vê o outro se insinuando para uma mulher no ônibus e finge que não viu, é o companheiro ou filho que vê a esposa ou mãe sobrecarregada e não ajuda nas tarefas domésticas, é o homem que vê uma mulher sendo espancada e diz que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, é o cara que prefere uma "mulher feminina" (entenda-se por feminina a que ele considera dócil, submissa e dependente) porque esta é mais fácil de manipular.


A lista seguiria interminável, pois na sociedade patriarcal na qual vivemos o que não falta são incentivo e cumplicidade a tudo cujo objetivo é dar poder ao homem e tirá-lo da mulher.


Aos homens eu apelo: coloquem-se no nosso lugar e se imaginem nas situações nas quais vocês nos obrigam a viver. Se esta imaginação te causa desconforto, você ainda pode mudar de opinião e lutar ao nosso lado contra o machismo, mas se isso não te arrepia, não te incomoda nem um pouco, então você realmente é um escroto que só merece punição.


Às mulheres eu digo: se amem, se cuidem, se protejam e aprendam a detectar os mínimos sinais de machismo, controle e violência. Não tenham medo de ficar sozinhas, de serem livres e independentes. Nós não precisamos de homens, mas se por acaso você "quiser" um relacionamento, pois se relacionar é uma escolha e não uma necessidade, não aceite qualquer coisa, seja seletiva, exigente, consciente e ao menor sinal de ameaça vá embora sem pestanejar.

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