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Não foi um príncipe: foram os cães que me salvaram

Mulher cercada por cães em casa, simbolizando como animais de estimação podem salvar vidas e oferecer amor incondicional em momentos difíceis.

A crônica “Não foi um príncipe: foram os cães que me salvaram” conta uma história real sobre como o amor dos animais pode transformar vidas e ajudar em momentos difíceis.


Não foi um príncipe. Foram eles.


Eu passei boa parte da vida esperando que um príncipe encantado viesse me salvar.

No fim das contas… foram os cães que me salvaram.


Hoje, a casa tem sete.

Três filhotes.


Isso significa que silêncio e calmaria praticamente não existem mais por aqui.


Enquanto eu escrevo, Mel dorme nos meus pés, como se tivesse assumido oficialmente o cargo de guardiã do meu humor.

Ou talvez só tenha medo que eu fuja pela janela e seja mais uma a abandoná-la.


Nos momentos em que estou concentrada, quieta demais, Rossita aparece feito um furacão.

Se joga em cima de mim com seus 18 quilos, passa a pata no meu rosto…

e desencadeia uma pequena revolução doméstica.


Mel chora pedindo atenção.

Bruno invade a cena querendo roubar carinho.

Nina late tentando se aproximar, como se fosse responsável pela trilha sonora do caos.


E os três velhinhos…


Os velhinhos só observam de longe, abanando o rabinho — como quem já viu tudo isso antes.


Mas nem sempre foi assim.


Houve um tempo em que cinco pares de olhos foram a única coisa que me impediram de desistir da vida.


Eu não tinha mais esperança.

A dor era tão profunda que eu fiquei anestesiada.

Sem sentir nada.


E isso me apavorava.


Eu chorava… e só queria que tudo acabasse.


Nesses momentos, a Tica sempre chegava primeiro.


Aquele focinho gelado encostando no meu rosto.

O corpo grande aquecendo o meu.

Ela deitava ao meu lado, em silêncio.


E era o suficiente.


Algumas pessoas consolam com palavras.

Os cães consolam ficando.


Ela ficava.


Me olhando sem julgamento, como se dissesse: “Ei… você não está sozinha.

A gente tá aqui.”


E isso me tirou da escuridão… milhares de vezes.


Minha vida ficou por um fio.

E eu só não dei cabo dela porque havia cinco criaturinhas que dependiam de mim.


Aqueles olhos cheios de amor e confiança foram o que me manteve presa à vida.


Eu achei que estava salvando eles das ruas.

Mas, na verdade… foram eles que me salvaram.


Enquanto eu reaprendia a viver, eles envelheciam ao meu lado.


Quinze anos.


Foi o tempo que Tica e Buddy me deram de amor, lealdade e presença.


Em dezembro de 2025, os dois partiram.

E deixaram um silêncio estranho nos lugares onde costumavam ficar.


Mas, antes de ir…

eles me deixaram mais um presente.


Ou melhor, quatro.


Resgatei a Mel com duas filhotinhas que estavam prestes a serem atropeladas na minha rua.

Depois chegou Bruno.

Mais um filhote.


E o que antes eram cinco velhinhos…

virou uma casa com sete cães.

Com filhotes correndo por todos os lados.


Às vezes eu acho que o amor não vai embora.


Ele só aprende um novo jeito de chegar.


Rossita me lembra muito a Tica. Estabanada, carinhosa… e convencida de que é gente, sentada à mesa com a gente na hora das refeições.


Alguns contos de fadas terminam com um príncipe.


O meu…

terminou com uma casa cheia de rabos abanando.

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