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Depois dos 40 descobri que príncipe encantado não existe

Mulher refletindo sobre amor e contos de fadas com livros como Cinderela no colo, cercada por cães, simbolizando a descoberta de que príncipe encantado não existe.

Depois dos 40 eu descobri que príncipe encantado não existe.

E que casamento não é aquele mar de rosas que me fizeram acreditar quando eu tinha uns 12 anos.


Com essa idade, o meu maior sonho era encontrar esse famigerado príncipe. De preferência montado em um cavalo branco, como nos contos de fadas, para me salvar da incompletude que eu acreditava carregar. Ele chegaria, compraríamos nossa casinha e viveríamos o nosso felizes para sempre.


Eu fui ensinada que somos incompletos. Que precisamos da nossa outra metade para existir em plenitude.


Essa ideia me fez viver boa parte da vida me sentindo exatamente assim: incompleta, vazia, imperfeita… e até azarada.

Porque, no meu caso, o que aparecia não eram príncipes.


Eram sapos.


E beijo nenhum fez qualquer um deles se transformar.


Um belo dia eu conheci um “príncipe” e pensei:

— Finalmente a minha alma gêmea apareceu. Agora eu posso ser feliz.


Aos 20 anos eu descobri que o amor não muda uma pessoa.

E que o príncipe era, na verdade, um sapo que quase me matou ao ficar preso na minha garganta.


Conheci o inferno.

Vi meus sonhos de menina virarem um pesadelo.


Entre mortos e feridos, eu sobrevivi.

E pela primeira vez recomecei.


Mas eu ainda acreditava naquela história de que, para ser completa, precisava ter alguém ao meu lado. A solidão era tão grande que, mais uma vez, me fez confundir um sapo com um príncipe.


Dessa vez o sapo não levou apenas o meu sonho.

Levou minha autoestima, minha confiança e a minha capacidade de me enxergar como mulher.


Por quase seis anos, o meu suposto mar de rosas foi, na verdade, um verdadeiro Mar Vermelho.


Mais uma vez eu saí ferida.

Mais uma vez eu recomecei.


Do zero.


Porque eu havia perdido completamente a minha identidade.


Mas aquele vazio — aquela inquietação de acreditar que eu precisava de alguém para ser completa — ainda me corroía por dentro. E então tentei uma terceira vez.


Dessa vez eu me agarrei à ideia de que aquele sapo era a minha salvação. Me doei tanto, me entreguei tanto, que acabei me perdendo totalmente de mim mesma.


Passei a acreditar que sem ele eu não poderia viver.


Foi quando comecei a acreditar que aquela talvez fosse a minha sina: nascer para sofrer, ser incompleta e não merecer o grande prêmio de ter alguém ao meu lado.


“Aceite”, eu dizia para mim mesma.

“Você veio a este mundo para ser infeliz.”


Era nisso que eu acreditava.


Minha vida ficou por um fio.

E só não dei cabo dela porque havia cinco criaturinhas que dependiam de mim — cinco corações peludos que me lembravam, todos os dias, que eu ainda era necessária.

Foram os olhinhos cheios de amor delas que me salvaram.


Levei sete anos para me reconstruir.

Sete anos para reaprender a viver.


Foi nesse processo que finalmente entendi algo que ninguém nunca havia me ensinado: eu já sou inteira.


Não preciso de alguém para me completar.


Depois dos 40 eu descobri que príncipe encantado não existe.


Mas também descobri algo muito mais importante do que isso: eu nunca precisei ser salva.


Thaisa Lima

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