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Memórias da infância: o que nossa história ensina sobre quem somos

Mulher conversando com o pai sobre memórias da infância em uma varanda, simbolizando valores familiares e histórias de vida.

As memórias da infância sempre me fazem refletir sobre quem me tornei. Sou muito disciplinada em quase todas as áreas, minha única dificuldade são os longos vídeos na internet, não sou dessa era digital e embora eu conviva muito bem com ela considero que tudo tem um limite.


Portanto, sou aquela pessoa que cumpre rigorosamente os prazos e odeia atrasos.


Embora muito focada no trabalho adoro me divertir e considero eu que, atualmente tenho uma ótima relação trabalho, lazer e descanso.


Não me importo em trabalhar até meia noite, uma da manhã, e se percebo que estou mentalmente cansada abandono o trabalho no meio do dia, entro num ônibus para a praia e esqueço o trabalho.


O que me faz pensar que tenho uma boa relação com trabalhar arduamente para conquistar meus sonhos e saber o limite entre aproveitar as coisas boas da vida e se matar trabalhando.


Recentemente em uma conversa com meu pai uma reflexão sobre nossa trajetória me fez pensar no quanto a nossa história reflete na nossa personalidade adulta.


Nossa infância, minha e do meu pai e da minha mãe (falarei apenas do pai nesse texto) foram marcadas pela pobreza, meus avós sempre encontravam um jeito de demonstrar o quanto éramos importantes e o quanto as datas eram importantes.


Minha avó comprava caixas de bombom e dava um bombom para cada neto no Natal.


Nos aniversários normalmente presenteava os netos mais velhos e os que frequentavam mais a casa deles.


Nossos presentes eram uma fatia de bolo embrulhado em um papel de pão, uma galinha, uma roupinha ganhada e reajustada pela avó.


Meu pai disse não se lembrar disso.


A conversa discorria para presentes e situações diferentes e eu me lembrei da minha primeira e única porquinha, não sei se eu culpava meu pai de alguma forma pela morte dela, inconscientemente.


-Teve um aniversário que o padrinho me deu uma porquinha, acho que durou um mês. Eu disse.


Padrinho e avô, era comum os avós serem os padrinhos de batizados dos netos mais velhos e o irmão mais velho padrinho do mais novo em uma família de sete filhos... as lendas, mas isso é história para outro momento.


- Não me lembro. Disse meu pai e continuou.


- Eu ganhei uma porquinha quando era criança, pai se distraiu com o poço e a porquinha morreu afogada.


- Uai, a minha também. Respondi.


- O senhor ia limpar a cacimba, um andarilho pediu comida, o senhor foi atender, deu comida, ficou conversando com ele com a cacimba aberta, dei falta da porquinha, corri até lá e ela estava boiando.


- Nossa, não me lembro disso, lembro da minha, era preta.


- A minha era clara, com uma mancha preta.


Naquele momento percebi que algumas histórias se repetem e percebi que naquela época nossas distrações não era a internet, mas uma boa conversa com um desconhecido.


Entendi também que o valor dos presentes não era quanto eles custavam, mas o sacrifício e carinho presente em cada um deles.

1 comentário

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Francy
há um dia
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Que texto! Me fez lembrar de momentos em família que eram tão presentes quando não havia internet.

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