O mundo digital: um purgante indispensável
- Francy Lima
- há 11 horas
- 3 min de leitura

Muitos medos atualmente inundam minha alma, nada exclusivamente meu. São sentimentos advindos desse mundo digital em que vivemos, do mundo externo sobre o qual não temos controle, mas que se impõe quase como obrigação e acaba atingindo a todos nós em algum momento da vida. Esse mundo digital nos oferece algumas facilidades, mas, em troca, invade a nossa privacidade. Parece que até o nosso pensamento é copiado. Comparo essas mídias com um purgante: se é ruim para engolir, é necessário para digerir.
Este suplemento indispensável ao manejo da vida moderna infelizmente atrai mais pelo que há de ruim. Indica ser o fim dos tempos bons onde falar com alguém, palestrar, informar sobre algo valia mais que um vídeo, um áudio, uma foto...
Tenho clareza de que há os que amassam esse barro exageradamente para cumprir com o seu trabalho, mas há também aqueles que amassam o mesmo barro pensando ser ouro com o intuito de fazer o mal. Aqueles que usam para repassar informações falsas, caluniar, difamar, roubar e cometer muitos outros crimes que, pela sedução, os tornam artistas, cientistas, políticos sérios, porque a mentira acaba se tornando verdade em um passo de mágica. É a força do que não se agrupa para o bem, mas traz notoriedade pelo mal. É muita gente ruim influenciando.
Alguns, no papel de influenciar pelo que é ilícito, mostram como é fácil adquirir ouro, dinheiro, carros, casas de luxo, mas a lista não termina aí, não! Músicas de péssima qualidade, milagres para feio ficar bonito e velho ficar novo também têm aos montões!
De cada 100 postagens, talvez 1% mereça credibilidade. Estou falando do geral que envolve a macro massa mundial.
Com poucos conhecimentos na área, por algum tempo mantive-me fiel às minhas páginas; porém, meu jardim pouco florido por causa dessa terra desconhecida foi me desencantando e hoje sobre mim descansa um peso obedecendo a esse tempo desagradável, instável...
O meu mundo em dores é o mundo de muitos; era para ser o mundo de todos porque somos uma coisa só, mas o que é indecifrável para mim é compreensível para outros.
O meu “fracasso nessas mídias não me preocupa”; o que me preocupa é o sucesso de tantas incompetências.
Acredito com toda minha sinceridade que “ A indiferença é a maneira civilizada para se ignorar alguém”. A indiferença a qualquer tipo de entrega pode ser entendida como descaso quando do envio desta, não houver retorno. Por isso mesmo esse “avesso”, que nem sequer consegue ser visto, é oposto a tudo que conheço de convivência, mesmo que em redes sociais.
Esses meios que existem, mas parecem inalcançáveis em uma relação de amizade, é incompatível comigo. Apesar de respeitar o jeito das outras pessoas, pela minha natureza de ser não consigo ignorar uma presença como ausência, porém se o corpo e a mente não estão alinhados para aceitar essas diferenças, melhor é me ausentar por tempo até que passe meu mal-estar e/ou até que aprenda lidar com a grandeza desse mundo digital.
Por enquanto, caminho pelo mundo literário a passo de tartaruga, como se diz: estou na fase ilustrativa de uma nova experiência. Sem querer fingir nem ser totalmente verdadeira, digo que ainda busco encontrar o fio da meada desse labirinto que é a escrita.
Minha visão sobre o universo da escrita ainda é “Uma espécie de desejo de encontrar pela linguagem que move minha alma, um jeito de encontrar o leitor”; nesse sentido, quando o inalcançado por mim se torna uma realidade a aventura ganha tom de medo e frustração.
Para continuar tenho feito sacrifício, porque essa claridade me aterroriza; ela tem natureza do geral, ou seja, ao mesmo tempo que dá liberdade invade a privacidade.
Quero continuar tendo a confiança de que sou mesmo um pingo d’água e não o oceano.
Quero continuar entendendo que não é necessário tanto, porque mais vale uma cacimba perto, do que o oceano há milhões de km.
Escrito por Maria Ferreira.
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