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7 Microcontos de Thaisa Lima | Especial Desafio Literária Mais

Arte gráfica da Literária Mais com foto de Thaisa Lima e título 7 microcontos de Thaisa Lima – Especial Desafio Literária Mais.

Durante os sete dias do Desafio de Microcontos da Literária Mais, além das participantes inscritas, a equipe organizadora também entrou na proposta criativa diária: transformar imagens e provocações em histórias curtas, intensas e impactantes.


Os textos da equipe não participaram da seleção oficial, mas nasceram sob a mesma pressão criativa: escrever rápido, sentir fundo e contar muito em poucas palavras.


Nesta edição especial, reunimos os 7 microcontos de Thaisa Lima, marcados por suspense, terror psicológico, ironia e emoção.


Sobre a autora

Thaisa Lima nasceu em 1980, em Maceió. É autora de Minha Resiliência, A Casa e Outros Contos e diversos textos publicados de forma independente.


Desde 2018, dedica-se à carreira literária, explorando narrativas intensas, femininas e emocionalmente afiadas.


Também atua como criadora de conteúdo digital. Geek, dorameira, mãe de sete cães, vegetariana e apaixonada por dramas, divide seu tempo entre a escrita, os animais e a criatividade.


📍 Instagram: @thaisalimagb

🎵 TikTok: @thaisalimagb


Os 7 microcontos de Thaisa Lima no desafio


Dia 1 — Ainda chora


Corredor escuro com porta entreaberta iluminando quarto aconchegante ao fundo.
Imagem inspiração criada por IA

O choro ficava mais alto a cada passo.

Fino. Irritante. Incessante.

Aquilo estava me atravessando por dentro.


— Para… por favor…


Minha voz não saía.


Me arrastei pelo corredor escuro. A parede áspera raspava na minha pele enquanto eu avançava. A luz quente escapava pela porta entreaberta no fim do corredor. Tinha algo escorrendo entre minhas pernas, quente, espesso, mas não parei.


O choro vinha dali.

Sempre vinha.


A porta se abriu antes que eu tocasse a maçaneta.


Congelei.


Por um segundo, soube que não devia entrar.


Mas o choro…


Entrei.


O quarto parecia intacto. Quase acolhedor. Luz suave, móveis no lugar.

O berço estava vazio.


O som vinha de baixo da cama.


Ajoelhei devagar. O chão frio grudava na minha pele. Inclinei o rosto, prendendo a respiração.


Nada.


Silêncio.


Não.


Ainda estava ali.

Mais distante.


Me arrastei até o banheiro.


Cada movimento parecia errado. Como se meu corpo não fosse meu.


Empurrei a porta.


O choro cessou.


De uma vez.


O banheiro estava vazio.


Fiquei parada. Tentando ouvir qualquer coisa.


Nada.


Só minha respiração falhando.


Olhei para minhas mãos.

Tremiam.

Havia sangue.


Muito.


E uma tesoura.


Foi quando senti.


Um vazio profundo dentro de mim.


E mesmo no silêncio…


eu ainda conseguia ouvir o choro.


Um terror psicológico sobre perda, culpa e o som que insiste em permanecer.

Dia 2 — O Que Ainda Ecoa


Menina sorridente segurando máquina steampunk luminosa em oficina antiga cheia de ferramentas.
Imagem inspiração criada por IA

A risadinha infantil ecoa na minha cabeça.

Não sei o que assusta mais: o som… ou o que falta.


Caminho pelo piso de madeira, mas não sinto os passos. Nem o rangido.


Não sinto…


O que eu deveria sentir mesmo?


À frente, formas cobertas por lençóis. Acho que são móveis. Ou foram.

A casa parece esquecida.


O chão está coberto de poeira intacta.

As janelas estão vedadas. Não sei se é noite. Não sei há quanto tempo estou aqui.

Ainda assim, continuo andando.


A risadinha outra vez.

Mais perto.


Unhas finas deslizam pelo meu crânio. Minha visão vacila, como se algo fosse puxado de dentro.


Tento segurar.


O quê?


Escapa.


Uma porta entreaberta deixa escapar luz amarela. O único lugar que parece… vivo.

Eu entro.


A sensação é imediata:

já estive aqui.


Ela está lá.


Sorrindo.


Pequena demais para o que segura nas mãos.


Engrenagens. Vidro. Luz pulsando devagar.


— Doce…


Ela me observa como quem reconhece.

E talvez reconheça.

Porque, por um instante, quase lembro.


Quase.


Então some.


E a risadinha volta a ecoar.


Sempre.

Memória fragmentada, infância e uma presença que nunca desaparece.

Dia 3 — 10:10


Relógio antigo quebrado sobre mesa de madeira, com vidro estilhaçado e engrenagens expostas.
Imagem inspiração criada por IA

O vento daquela noite atravessava a casa em assobios longos. No sítio isolado, tudo parecia em paz.


O relógio sob a mesa marcava 10:02.


No quarto, a menina mantinha os olhos fechados, as mãos unidas com força.


Sempre era depois das dez.


10:07.


Silêncio.


10:09.


Nada.


O ar pareceu leve demais. Errado.


Ela quase respirou aliviada.


O rangido da porta cortou o quarto.

Seu corpo enrijeceu antes mesmo do toque.


— Xiu…


Ela obedeceu, como sempre.


O relógio avançou.


10:10.


Outro som.


Mais alto. Seco.


O peso sobre ela sumiu.


O silêncio voltou diferente. Denso.


O homem tombou.


Atrás dele, na porta, a mãe. A arma ainda erguida. Olhos vazios.


A bala atravessou o corpo e o relógio.


O vidro se partiu.


Os ponteiros pararam.


10:10.


Ela entrou devagar e sentou na cama.

Puxou a filha para si.


— Agora… acabou.


A menina não abriu os olhos.


Não por medo.


Por costume.

Um microconto brutal sobre trauma, silêncio e justiça tardia.

Dia 4 — Último Domingo


Casal de idosos fantasiado e de patins sorrindo de mãos dadas em calçadão à beira-mar.
Imagem inspiração criada por IA

Há trinta anos mantinham o mesmo ritual. No último domingo de cada mês, vestiam-se para celebrar, como dois adolescentes atrasados pelo tempo.


Ela escolhia lantejoulas, franjas e cores impossíveis.

Ele preferia estampas selvagens, correntes douradas e cartolas exageradas.


De mãos dadas, calçavam os patins e deslizavam pela orla.


Amavam sentir o vento salobre lamber seus rostos.


Quem os via ria, acenava, tirava fotos. Eles retribuíam com sorrisos largos.

Era bonito vê-los assim: fiéis, leves, inseparáveis.


Depois da volta, passavam numa floricultura.

Sempre rosas amarelas.


Em casa, abriam vinho e brindavam em silêncio diante do quintal recém-revolvido.


Trinta anos sem suspeitas.


Trezentas e sessenta obras concluídas.


Ela apertou a mão do marido.


— Precisamos comprar uma casa maior, meu amor.


Ele olhou para o jardim tomado por terra fresca.

Já não restava espaço para os corpos.


Amor longevo, aparência encantadora e um jardim cheio de segredos.

Dia 5 — Vermelho


Mulher de casaco vermelho caminhando sozinha em floresta coberta de neve sob lua cheia, carregando mala.
Imagem inspiração criada por IA

O uivo dos lobos não a assustava.


Percorrera aquele caminho muitas vezes. Desta vez, sem frio.


A neve brilhava sob a lua cheia. Vestia um casaco da cor do sangue.


Na cabana, ele dormia pesado. Ela entrou sem tocar na porta.


Sentou ao lado da cama e abriu a pasta.


A faca ainda estava fria. A mesma de anos atrás.


Ele despertou no primeiro golpe. No segundo, reconheceu o rosto. Tentou gritar.


No décimo, ela sorria.


Quando amanheceu, encontraram o corpo perfurado.


Na neve, apenas pegadas indo até a casa.


Nenhuma voltando.


Releitura sombria de vingança feminina com atmosfera de conto clássico.

Dia 6 — Mesa posta


Mesa posta colorida com flores, pratos estampados e decoração vibrante em sala iluminada por janela.
Imagem inspiração criada por IA

Caprichou nas flores, nas cores e nas louças alegres. As amigas comeram felizes o prato principal.



— Paulo deixou você receber visitas?


Ela sorriu, enchendo as taças. Olhou a travessa vazia.


— Digamos que, desta vez, ele participou.


O jantar estava delicioso.

Ninguém reconheceu o gosto.




Ironia cruel servida em jantar elegante.

Dia 7 — Travessia


Mulher correndo na chuva à noite em rua urbana, segurando sacola, com expressão de urgência e tensão.
Imagem inspiração criada por IA

A chuva apagou os vestígios. Corria com o coração na sacola. No trânsito parado, atravessou o próprio corpo. Morrera fugindo.















Brevíssimo, intenso e mortal: fuga, chuva e ruptura final.

Bastidores criativos


Escrever um microconto por dia foi um exercício de rapidez, entrega e coragem criativa. Cada imagem proposta no desafio exigia mergulho imediato, síntese narrativa e impacto emocional em poucas linhas.


Mais do que um desafio literário, foi uma reconexão com o prazer de criar.


Conheça a Literária Mais


A Literária Mais é um espaço dedicado a leitoras e escritoras que desejam desenvolver sua escrita, compartilhar histórias e crescer no universo literário.


Reunimos mulheres apaixonadas por literatura através de desafios criativos, oficinas, entrevistas, divulgação de autoras e projetos que fortalecem a escrita feminina e independente.


📍 Instagram: @literariamais



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Participe dos próximos desafios


Se você ama escrever e deseja explorar sua criatividade, acompanhe a Literária Mais. O próximo desafio pode revelar sua próxima grande história.


Em sete dias, sete histórias provaram que o medo, a dor e a beleza também cabem em poucas linhas.

Rich Snippet FAQ


Quem é Thaisa Lima?

Thaisa Lima é escritora brasileira, autora independente e criadora de conteúdo digital. Publica contos, crônicas e romances desde 2018.


Sobre o que são os microcontos de Thaisa Lima?

Seus microcontos exploram suspense psicológico, terror, ironia, crítica social e emoções intensas.


O que foi o Desafio Literária Mais?

Um desafio criativo de sete dias em que escritoras produziram microcontos a partir de imagens e provocações literárias.


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