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Sem Conexão: amor e comunicação na era digital

Jovem pensativa segurando o fio rompido de um telefone antigo, simbolizando a falta de conexão emocional no amor na era digital.

Sem Conexão: amor na era digital

O poema “Sem Conexão”, de Bruna Esteves, reflete sobre o amor na era digital e a dificuldade de manter conexões humanas verdadeiras em um mundo dominado por telas e mensagens instantâneas.


Sem Conexão


Esqueci que o amor pode ser leve e divertido

como uma brincadeira de criança

que brinca sem medo porque aprendeu a amar

sem julgamentos ou empecilhos.

O amor também pode ser macio, suave e extasiante

como palavras sussurradas ao pé do ouvido,

a provocar devaneios e desejos profundos.


Faz tempo que não brinco de telefone sem fio.

Em tempos de telas sensíveis e touchscreen,

há poucas pessoas que perguntam como foi o seu dia

e esperam pela resposta para te ouvir

com o coração aberto

e não ouvidos blindados, desinteressados

que não sabem apreciar uma boa conversa.

Você deseja que não enviem apenas emojis engraçados

para falar de amor ou de qualquer outro assunto

como se tudo na vida fosse insípido, indolor

e desprovido de interesse.


Talvez, esse seja o problema:

meu telefone é fixo

o fio desgastou-se com o tempo,

se rompeu e não faz mais ligação.

E mesmo o amor sendo a força propulsora do universo,

venho reaprendendo a amar num mundo

sem conexões reais.


Creio que ando desconexa da realidade,

sou de uma geração que disputava fila


só para falar por alguns minutos no telefone público,

na esperança de fazer uma ligação e

ouvir uma voz amiga do outro lado da linha.

Alguns marmanjos tinham receio de que a ficha acabasse

antes de finalizarem uma linda declaração de amor.

A poesia conectava corações que não dependiam da tecnologia

e sabiam brincar de qualquer coisa.


Bruna Esteves

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