Terras desconhecidas: um recomeço na vida entre medo e descoberta
- Thaisa Lima

- há 23 horas
- 2 min de leitura

A prosa poética Terras desconhecidas reflete sobre medo, mudança e recomeço na vida por meio de uma narrativa sensível e simbólica em primeira pessoa.
Todo recomeço na vida parece uma terra desconhecida.
Já pisei em muitos lugares.
Alguns me feriram. Outros me queimaram. Houve os que me acolheram com suavidade, como se cada passo fosse um carinho.
Mas teve um dia…
Um dia que eu nunca esqueci.
O dia em que pisei em terras desconhecidas.
Eu senti antes de você admitir.
A hesitação no primeiro passo. O peso diferente do corpo. A pausa curta, quase imperceptível… como se você soubesse que estava atravessando mais do que uma estrada.
Aquele chão não era só novo.
Era incerto.
O asfalto quente queimava, mas não era só o calor que incomodava. Tinha medo ali. Tinha silêncio demais. Tinha uma solidão que nem você conseguia nomear.
O cheiro de chuva subindo do chão parecia promessa… mas também parecia aviso.
Eu senti tudo.
Cada passo mais lento. Cada tentativa de seguir firme mesmo com o corpo querendo recuar.
Você achava que estava começando uma nova vida.
Eu sabia que você estava tentando salvar uma que já estava se desfazendo.
Foi ali, no meio de uma estrada perdida no Mato Grosso, cercada por verde por todos os lados… que a gente encontrou aquele olhar.
O lobo-guará.
Ele parou. A gente também.
Por um instante, ninguém se moveu.
Os olhos dele estavam assustados. Os nossos também.
E, naquele silêncio, eu entendi.
Você não estava com medo só do lugar.
Você estava com medo do que vinha depois.
Eu segui.
Porque pés não escolhem.
Eles apenas levam.
Mesmo quando o caminho aperta. Mesmo quando o coração pede pra voltar.
Mesmo quando, lá na frente, a gente descobre que não era recomeço…
Era fim.
Pisei em terras desconhecidas naquele dia.
E, sem que você percebesse, foi ali que começamos a nos perder…
e, ao mesmo tempo, a nos encontrar.
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